O francês pelo mundo: pensando a presença da língua francesa através do globo

29 de outubro de 2020
Por  Administrativo

Se você escolheu estudar francês como língua estrangeira, muito provavelmente, antes mesmo de você ter um contato mais próximo com a língua, talvez você já associasse tal idioma mais imediatamente com a França. Isso não sem razão, afinal de contas, é o francês a língua nacional do Estado francês e, entre os muitos clichês que guardamos conosco, certamente levamos aquela imagem (um tanto quanto estereotipada, talvez?) de que o nosso interlocutor ideal no idioma seria justamente um nativo proveniente do dito país – provavelmente, vestindo uma marinière, usando uma boina vermelha e, com toda certeza, levando sua baguete debaixo do braço, para fazer jus ao lugar-comum que habita tão fortemente nosso imaginário. 

 

No entanto, tão logo começamos a estudar o idioma com mais seriedade, somos instados a conhecermos com mais atenção quem são, em realidade, os nossos verdadeiros interlocutores em língua francesa, o que compreende, é claro, os franceses, mas não só eles. Quer ver só? 

 

O francês é a quinta língua mais falada no mundo em número de locutores (depois do mandarim, do inglês, do espanhol e do árabe), e está presente em 106 países e territórios espalhados por todos os cinco continentes!

 

Dos cerca de 300 milhões de francófonos que existem no mundo, cerca de 235 milhões delas usam o francês todos os dias. A língua francesa pode, além disso, ter diferentes status através do globo, a depender da região geográfica em que ela é usada. Ela pode ser, por exemplo, a língua materna de um povo, como é o caso dos franceses, mas também, como acontece com frequência em países africanos, o francês pode ser uma língua segunda, como aquela do ambiente escolar, sendo, portanto, a língua da escolarização; ou ainda ser usada em ambientes de trabalho, se configurando, assim, enquanto língua administrativa e profissional, para além de usos em contextos de socialização e comunicação. 

 

Segundo o levantamento da Organização Internacional da Francofonia (OIF), de 2018, 44% do número total de falantes do francês estão situados em território europeu (na Europa Central e na Europa do Oeste), e esse número é seguido de perto pela porcentagem de falantes localizada em território africano: expressivos 34% da população francófona encontra-se na África! 

 

Sendo assim, é fácil percebermos que a língua francesa tem os mais diversos rostos e sotaques, perpassando, pois, diferentes culturas. Daí a importância de estarmos abertos a mais completa diversidade promovida pela francofonia!Por isso, o CFOL te convida, então, para fazer um pequeno tour du monde através do francês falado na Europa, nas Américas e na África. Vem com a gente? C’est parti ! 

 

O francês europeu

 

São vários os países e territórios do Velho Mundo que falam francês. Dentre eles, podemos citar a França, Mônaco e a Federação Valônia-Bruxelas, como exemplos de lugares onde a língua francesa é tida por idioma oficial. 

 

Já em lugares como a Bélgica, Luxemburgo, Suíça e o vale de Aosta, na Itália, o francês é uma língua co-oficial, isto é, ele coexiste enquanto idioma oficial com outro(s) idioma(s) que possuam esse mesmo estatuto. 

 

É verdade, no entanto, que quando falamos em francês europeu, logo pensamos naquele falado na França, na Bélgica ou na Suíça, e no que toca mais especificamente ao francês da França, tendemos a considerá-lo como o nosso  “francês padrão”, como se ele próprio não variasse dentro das suas próprias fronteiras, o que não é bem verdade. 

 

A França conta com inúmeros sotaques, sendo o mais conhecido deles  aquele proveniente da região de Île-de-France,  mais especificamente o de Paris, tido por muitos como o dito francês standard. Mas fora essa variante mais difundida, há inúmeros sotaques espalhados pelo país; há quem diga, por exemplo, que há uma disputa entre o  accent toulousain e o accent marseillais em torno do status de qual seria francês mais bonito do país, sabia?

 

Já o francês belga costuma ser mais conhecido pelo seu aspecto gutural, além de sofrer, a depender da região em que é falado, certa influência das outras línguas oficiais do país. Com o francês suíço o cenário é semelhante, também ele sofrendo variações regionais. O mais curioso, no entanto, talvez seja o fato de que em ambos os países há expressões e usos lexicais do idioma muito específicos e próprios, caracterizando, assim, o francês de cada país.

 

Na Suíça, por exemplo, costuma-se dizer “Adieu !” para saudar alguém em uma conversa, em contextos em que, no francês da França, os locutores diriam simplesmente “Salut !”. Já na Bélgica, eles usam “C’est le brol !” para exprimir aquilo que os franceses indicam através da expressão “C’est le bordel !”, sendo “brol”, no caso, uma gíria belga para bagunça ou desordem. Interessante, não acha?

 

 

O francês nas Américas

 

Já na América do Norte, temos o tão conhecido français québécois, aquele falado na província do Québec, cujo sotaque está muito mais próximo do que era a língua francesa falada pelos parisienses à época da sua colonização do que o próprio francês falado na França. 

 

O francês do Québec é marcado tanto pelo seu accent particular quanto pelo seu vocabulário, que inclui muito termos tidos como mais “arcaicos” justamente por guardar essa semelhança com o francês da sua origem. Por exemplo, no Canadá,  “petite amie”, isto é, a mulher que faz parte de um casal, é, na verdade, “la blonde”, mesmo que a namorada em questão não seja loira. 

 

No entanto, o que não podemos nos esquecer é que a América francófona vai muito além do Canadá. Depois da América do Norte, o segundo lugar de maior concentração de falantes da língua francesa em nosso continente é justamente a América Central. Martinica, Guadalupe, São Bartolomeu e São Martinho são exemplos de ilhas que fazem parte das Antilhas Francesas, isto é, das ilhas francófonas do Caribe. Fora isso, merece especial atenção o Haiti, que em 2010 tinha cerca de 4 279 000  de falantes de francês.

 

E não podemos deixar de mencionar, claro, a presença do francês na América do Sul! A Guiana Francesa, país com o qual o Brasil faz fronteira, é território ultramarino francês e única região da União Europeia situado na América do Sul! E mesmo assim, muitas vezes esquecemos de que nossos vizinhos falam francês tão pertinho de nós!

 

O francês na África

 

Também na África o francês foi introduzido através da colonização. E ainda que o idioma seja falado cotidianamente nos países desse continente, como dissemos anteriormente, a língua francesa tem muito mais uma função de língua segunda, aquela que faz parte da administração e da educação formal, do que de língua materna, convivendo, assim, com as demais línguas e dialetos de matrizes africanas.

 

Além disso, não podemos perder de vista que o francês na África varia tanto quanto em qualquer outro continente, contando com inúmeros sotaques. Mas de forma geral, o francês africano é percebido como sendo mais cantado e musical que os demais.

 

Fora isso, uma informação importante a se ter em mente é que o continente é aquele a contar com o maior número de locutores de francês que fazem uso do idioma cotidianamente no mundo! Sendo a África o espaço geográfico em que o uso da língua mais cresce em todo o planeta!

 

Se você já quis ser capaz de se comunicar com falantes de francês por todo  o mundo, talvez você já tenha se perguntado também sobre o nível de dificuldade em aprender esse novo idioma.

 

Foi pensando nesses questionamentos colocados por falantes do português língua materna que o CFOL preparou um artigo para mostrar como a língua francesa pode nos ser mais próxima do que poderíamos imaginar na hora de iniciarmos nossos estudos nessa língua estrangeira. Confira mais sobre o assunto aqui!

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